Quando preservar a natureza também significa desenvolver um destino
Praia do Forte é conhecida por suas praias, piscinas naturais, riqueza cultural e pela biodiversidade que faz do destino um dos mais especiais do Brasil. Mas existe um patrimônio que vai além da paisagem: a natureza preservada também movimenta a economia, gera empregos, fortalece o turismo e melhora a qualidade de vida de quem vive na região.
Um estudo inédito acaba de comprovar aquilo que moradores, pesquisadores e empreendedores do turismo já percebiam na prática. O Turismo de Observação de Vida Silvestre (TOVS) terrestre, desenvolvido na Mata Atlântica do Litoral Norte da Bahia, não apenas aproxima visitantes da biodiversidade, como também gera impactos econômicos relevantes para toda a cadeia turística.
A pesquisa analisou atividades de observação de aves, da preguiça-de-coleira (Bradypus torquatus) e do ouriço-preto na Floresta do Aruá, localizada em Praia do Forte, no município de Mata de São João.
Mais do que um patrimônio ambiental, a floresta preservada se consolida como um ativo econômico capaz de impulsionar o desenvolvimento sustentável.
O levantamento foi realizado por meio de uma parceria entre o Instituto Preguiça-de-Coleira (IPDC), Entre Parques e Aruá Observação de Vida Silvestre, utilizando dados coletados entre 2025 e 2026.

Os números mostram que a natureza também movimenta a economia
Os pesquisadores partiram de um gasto médio de R$ 1.580 por visitante e de aproximadamente 2.140 pessoas por ano realizando atividades de observação de vida silvestre na Floresta do Aruá.
A partir desses dados, os impactos estimados foram expressivos:
- R$ 3,4 milhões em vendas
- R$ 730 mil em renda gerada
- R$ 1,6 milhão incorporados ao PIB
- 62 postos de trabalho
- R$ 94 mil em arrecadação tributária
Os cálculos utilizam o Money Generation Model (MGM), metodologia internacional que considera não apenas o gasto realizado pelo visitante, mas também os efeitos indiretos que esse investimento produz ao longo da economia local.
Na prática, isso significa que o turismo de natureza beneficia hotéis, pousadas, restaurantes, cafeterias, transportadoras, guias especializados, artesãos, comerciantes e diversos outros serviços que fazem parte da experiência de quem visita Praia do Forte.
Cada visitante que escolhe viver uma experiência na natureza ajuda a fortalecer dezenas de outras atividades econômicas do destino.
Entre julho e outubro, o mar amplia esse impacto com a temporada das baleias-jubarte
Se a floresta movimenta visitantes durante todo o ano, o oceano ganha protagonismo entre julho e outubro, período oficial da temporada de avistamento das baleias-jubarte no litoral baiano.
Todos os anos, esses gigantes do mar deixam a Antártida em direção às águas quentes da Bahia para acasalar, dar à luz e cuidar dos filhotes. Durante esses meses, Praia do Forte se transforma em um dos principais destinos brasileiros para a observação responsável das baleias.
O espetáculo natural atrai milhares de visitantes, movimentando hospedagem, gastronomia, transporte, passeios embarcados, comércio e diversos segmentos ligados ao turismo.
Mais do que uma experiência emocionante, a temporada das jubartes representa uma importante engrenagem econômica para o destino e reforça a vocação de Praia do Forte como referência em turismo de natureza.
A floresta não está sozinha: o exemplo das baleias
O turismo de observação da natureza em Praia do Forte também já havia sido analisado sob a perspectiva marinha.
O estudo desenvolvido por Spanholi et al. (2025) avaliou o impacto econômico do turismo de observação das baleias-jubarte por meio de entrevistas realizadas com visitantes do Projeto Baleia Jubarte durante a temporada de 2023.
Os resultados também chamam atenção.
Foi identificado um gasto médio diário de R$ 841,73 por pessoa, com impacto econômico estimado entre R$ 4,4 milhões e R$ 9,3 milhões, geração de 85 a 122 empregos e arrecadação entre R$ 416 mil e R$ 816 mil em impostos indiretos.
Quando observados em conjunto, os dois estudos revelam um cenário ainda mais interessante.
A floresta e o oceano formam um mesmo ecossistema turístico, capaz de gerar renda, estimular negócios locais e incentivar a conservação ambiental.
Em Praia do Forte, preservar a biodiversidade significa fortalecer uma economia que beneficia toda a comunidade.

Um destino, diferentes experiências e um mesmo perfil de visitante
Outro resultado importante da pesquisa diz respeito ao perfil dos turistas.
Quem viaja para observar aves, mamíferos e espécies da Mata Atlântica apresenta características muito semelhantes às de quem visita a região durante a temporada das baleias-jubarte: são pessoas com elevado interesse por natureza, boa escolaridade, maior permanência no destino e disposição para investir em experiências autênticas.
Praia do Forte também aparece como principal base de hospedagem para esses visitantes, demonstrando que o destino reúne estrutura turística, serviços qualificados e fácil acesso aos principais atrativos naturais.
Essa complementaridade cria oportunidades para roteiros ainda mais completos.
Em uma única viagem é possível caminhar pela Mata Atlântica em busca da preguiça-de-coleira, observar aves em seu habitat natural, conhecer projetos de conservação e, durante os meses de julho a outubro, embarcar para acompanhar um dos maiores espetáculos da vida marinha brasileira.
Poucos destinos conseguem reunir tantas experiências de natureza em uma mesma viagem.
O futuro do turismo passa pela conservação
Mais do que apresentar indicadores econômicos, os estudos ajudam a transformar a maneira como a conservação ambiental é percebida.
Quando a floresta gera empregos, quando as baleias movimentam a economia e quando a biodiversidade fortalece pequenos negócios, preservar deixa de ser apenas uma responsabilidade ambiental para se tornar uma estratégia inteligente de desenvolvimento.
Essa visão beneficia visitantes, moradores, empreendedores e futuras gerações.
Praia do Forte mostra que é possível crescer valorizando seus ecossistemas, protegendo espécies ameaçadas e incentivando um turismo responsável, capaz de distribuir renda e fortalecer a identidade local.
A maior riqueza de um destino não está apenas em suas paisagens, mas na capacidade de transformar natureza preservada em experiências inesquecíveis e desenvolvimento sustentável.
E é justamente esse equilíbrio entre floresta, oceano, cultura e comunidade que faz de Praia do Forte um dos destinos mais completos para quem busca viajar com propósito, aprender com a natureza e contribuir para um turismo que gera benefícios muito além da própria viagem.




